A garrafa esvazia-se cerca da uma;
às duas o livro está fechado;
às três, os amantes jazem separados,
esgotado o amor e o seu comércio ;
e agora o relógio luminoso
mostra que passa das quatro,
altura da noite em que ventos errantes
agitam a escuridão.
E eu estou farto de ver se durmo,
tão farto que posso quase acreditar
que o rio silencioso que flui da caverna
não é forte nem fundo;
apenas uma imagem fantasiada de metáfora.
Eu gosto e espero pela manhã, e os pardais,
os primeiros passos que descem a rua por varrer,
as vozes das raparigas com cachecóis pela cabeça.
Philip Larkin, © tradução de Babel