A GARRAFA ESVAZIA-SE

A garrafa esvazia-se cerca da uma;
às duas o livro está fechado;
às três, os amantes jazem separados,
esgotado o amor e o seu comércio ;
e agora o relógio luminoso
mostra que passa das quatro,
altura da noite em que ventos errantes
agitam a escuridão.

E eu estou farto de ver se durmo,
tão farto que posso quase acreditar
que o rio silencioso que flui da caverna
não é forte nem fundo;
apenas uma imagem fantasiada de metáfora.
Eu gosto e espero pela manhã, e os pardais,
os primeiros passos que descem a rua por varrer,
as vozes das raparigas com cachecóis pela cabeça.

Philip Larkin, © tradução de Babel

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Publicado em:  on Novembro 16, 2008 at 6:37 pm Comentários (1)
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Quer

Para lá de tudo isto, a vontade de estar só:
Não obstante o céu escuro cresce com os seus apelos
Não obstante seguimos as instruções impressas do sexo
Não obstante a família é fotografada sob o mastro da bandeira —
Para lá de tudo isto, a vontade de estar só.

No fundo de tudo, o desejo de esquecimento urge:
Apesar das tensões engenhosas do calendário,
O seguro de vida, os rituais da fertilidade programada,
A penosa aversão dos olhos pela morte —
No fundo de tudo, o desejo de esquecimento urge.

Philip Larkin © tradução de babel

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Publicado em:  on Outubro 19, 2008 at 11:44 pm Deixe um Comentário
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