O CANHOTO

Não serve de consolo caminhar com uma mão na nossa, a arriscada florescência da carne de uma mão.
O obscurecimento da mão que nos aperta e nos conduz, inocente também, a olorosa mão em que juntamos e guardamos haveres não nos evita a ravina, o espinho, o fogo precoce, o cerco dos homens, essa mão preferida a todas as outras, mas subtrai-nos à duplicação da sombra, ao dia da noite. Ao dia brilhando por cima da noite, franqueado o seu limiar de agonia.

René Char, França, © tradução de lápis-lazúli

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Publicado em:  on Dezembro 8, 2008 at 12:10 pm Comentários (2)
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A FACÇÃO DO SILÊNCIO

As pedras apertaram-se na muralha e os homens viveram do musgo das pedras. A noite profunda andava armada e as mulheres não davam à luz. A ignomínia tinha o aspecto de um copo de água.

Eu uni-me à coragem de alguns seres, vivi violentamente, sem envelhecer, o meu mistério no meio deles, senti o estremecimento da existência de todos os outros, como um barco incontinente vogando fundos compartimentados.

René Char, © tradução de lápis-lazúli

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Publicado em:  on Dezembro 1, 2008 at 4:35 pm Deixe um Comentário
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