A GARRAFA ESVAZIA-SE

A garrafa esvazia-se cerca da uma;
às duas o livro está fechado;
às três, os amantes jazem separados,
esgotado o amor e o seu comércio ;
e agora o relógio luminoso
mostra que passa das quatro,
altura da noite em que ventos errantes
agitam a escuridão.

E eu estou farto de ver se durmo,
tão farto que posso quase acreditar
que o rio silencioso que flui da caverna
não é forte nem fundo;
apenas uma imagem fantasiada de metáfora.
Eu gosto e espero pela manhã, e os pardais,
os primeiros passos que descem a rua por varrer,
vozes das raparigas com cachecóis pela cabeça.

Philip Larkin, Inglaterra (1922-85), tradução de babel

THE BOTTLE IS DRUNK OUT

The bottle is drunk out by one;
At two, the book is shut;
At three, the lovers lie apart,
Love and its commerce done;
And now the lumious watch-hands
Show after four o’clock,
Time of night when straying winds
Trouble the dark.

And I am sick for want of sleep;
So sick, that I can half-believe
The soundless river pouring from the cave
Is neither strong, nor deep;
Only an image fancied in conceit.
I like and wait for morning, and the birds,
The first steps going down the unswept street,
Voices of girls with scarves around their heads.

Philip Larkin

Anúncios

1 comentário a “A GARRAFA ESVAZIA-SE

Os comentários estão fechados.