O MEU CORVO

Um corvo voou para a árvore em frente da minha janela.
Não era o corvo de Ted Hughes, ou o corvo de Galway.
Ou o de Frost, o de Pasternak, ou o corvo de Lorca.
Ou um dos corvos de Homero, cheio de sangue coagulado,
Depois da batalha. Este era só um corvo.
Que nunca, na sua vida, assentou em parte alguma
Ou fez qualquer coisa digna de se mencionar.
Ficou ali no ramo por uns minutos.
Ganhou forças e voou de um modo lindo
Para fora da minha vida.

Raymond Carver, EUA (1938-88), tradução de babel

MY CROW

A crow flew into the tree outside my window.
It was not Ted Hughes’s crow, or Galway’s crow.
Or Frost’s, Pasternak’s, or Lorca’s crow.
Or one of Homer’s crows, stuffed with gore,
after the battle. This was just a crow.
That never fit in anywhere in its life,
or did anything worth mentioning.
It sat there on the branch for a few minutes.
Then picked up and flew beautifully
out of my life.

Raymond Carver

Anúncios

2 comentários a “O MEU CORVO

  1. Seria o corvo da arca de Noé que fugiu e não regressou nunca e que, como diz Al Berto num lindíssimo poema, se “perdeu na travessia do caos e da ordem fascinado pelas líquidas imagens que se desprenderam do infinito dilúvio”?

    Gostar

  2. Obrigada pelo comentário/reflexão do meu poema “lugar interior”. Gostei de te ler… Quanto a Torga, também gosto muito da prosa, mas a poesia tem a particularidade de encontrarmos sempre um poema que encaixa no nosso estado de espírito. Sei que agora há poetas ditos mais modernos… Torga era um homem que dizia o que sentia de forma aparentemente simples…
    Referiste os comentários… Bem ganhei (a pulso posso dizer) o direito a tê-los. Como? Deixo sempre uma palavra aos que me visitam. Nuns um acto de reflexão. Noutros um acto de fraternidade…
    Abraço e boa noite.

    Gostar

Os comentários estão fechados.