O CANHOTO

Não serve de consolo caminhar com uma mão na nossa, a arriscada florescência da carne de uma mão.
O obscurecimento da mão que nos aperta e nos conduz, inocente também, a olorosa mão em que juntamos e guardamos haveres não nos evita a ravina, o espinho, o fogo precoce, o cerco dos homens, essa mão preferida a todas as outras, mas subtrai-nos à duplicação da sombra, ao dia da noite. Ao dia brilhando por cima da noite, franqueado o seu limiar de agonia.

René Char, França, tradução de Soledade Santos

LE GAUCHER

On ne se console de rien lorsqu’on marche en tenant une main, la périlleuse floraison de la chair d’une main.
L’obscurcissement de la main qui nos presse et nous entraîne, innocente aussi, l’odorante main où nous nous ajoutons et gardons ressource, ne nous évitant pas le ravin et l’épine, le feu prématuré, l’encerclement des hommes, cette main préferée à toutes, nous enlève à la duplication de l’ombre, au jour du soir. Au jour brillant au-dessus du soir, froissé son seuil d’agonie.

René Char, France

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2 comentários a “O CANHOTO

  1. Graça, tem vindo ao nosso jovem blogue, mas ainda não lhe demos as boas vindas aqui. Faço-o agora, acrescentando que é reconfortante encontrar outros leitores de Char.

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