NÃO QUERO PAZ, NÃO HÁ PAZ

Não quero paz, não há paz,
quero a minha solidão.
Quero o coração nu
para o deitar à rua,
quero ficar surdo-mudo,
que ninguém me visite,
que eu não veja ninguém,
e se houver quem sinta nojo, como eu,
que o engula.
Quero a minha solidão,
Não quero paz, não há paz.

Jaime Sabines, México, tradução de Soledade Santos.

NO QUIERO PAZ, NO HAY PAZ,
quiero mi soledad.
Quiero mi corazón desnudo
para tirarlo a la calle,
quiero quedarme sordomudo.
Que nadie me visite,
que yo no mire a nadie,
y que si hay alguien, como yo, con asco,
que se lo trague.
Quiero mi soledad,
no quiero paz, no hay paz.

Jaime Sabines, México, 1926-1999

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