Neve

Cai a noite: ainda nos deixam
imagens queridas da terra, árvores,
animais, pobre gente que se fecha
em capotes de soldados, mães
de ventre seco pelas lágrimas.
E a neve ilumina os prados
como a lua. Oh estes mortos. Batam
na fronte, batam até ao coração.
Que ao menos no silêncio alguém uive
neste círculo branco de sepultados.

Salvatore Quasimodo, Itália (1901-1968), tradução de Nuno Dempster

Neve

Scende la sera: ancora ci lasciate
immagini care della terra, alberi,
animali, povera gente chiusa
dentro i mantelli dei soldati, madri
dal ventre inaridito dalle lacrime.
E la neve ci illumina dai prati
come luna. Oh questi morti. Battete
sulla fronte, battete fino al cuore.
Che urli almeno qualcuno nel silenzio,
in questo cerchio bianco di sepolti.

Salvatore Quasimodo

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