Dunas

QUE vemos aqui nas dunas de areia ao luar,
      sozinhos com os nossos pensamentos, Bill,
Sozinhos com os nossos sonhos, Bill, suaves como as mulheres
      que põem um lenço à volta da cabeça e dançam,
Sozinhos com uma imagem e uma imagem após outra de
      todos os mortos,
Mortos mais numerosos do que todos estes grãos de areia, um
      a um amontoados ao luar,
Amontoados contra a linha do horizonte, com as formas que a
      mão do vento quis ,
O que vês aqui, Bill, além do que faz cair em desespero
      os homens sábios,
além do que os poetas choram e os soldados enfrentam
      com coragem até deixarem o crânio ao sol ―
      que será, Bill?

Carl Sandburg, EUA (1878-1967), tradução de Nuno Dempster

Dunes

WHAT do we see here in the sand dunes of the white
      moon alone with our thoughts, Bill,
Alone with our dreams, Bill, soft as the women tying
      scarves around their heads dancing,
Alone with a picture and a picture coming one after the
      other of all the dead,
The dead more than all these grains of sand one by one
      piled here in the moon,
Piled against the sky-line taking shapes like the hand of
      the wind wanted,
What do we see here, Bill, outside of what the wise men
      beat their heads on,
Outside of what the poets cry for and the soldiers drive
      on headlong and leave their skulls in the sun for–
      what, Bill?

Carl Sandburg

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