A ordem legítima é por vezes desumana

Aqueles que partilham lembranças
regressam à solidão, mal o silêncio se instala.
A erva que os afaga desponta da sua fidelidade.

Que dizias tu? Falavas-me de um amor tão longínquo
Que remontava à tua infância.
Tantos estratagemas a memória tece!

René Char (1907-1988), França,
tradução de Soledade Santos

L’ORDRE LÉGITIME EST QUELQUEFOIS INHUMAIN

Ceux qui partagent leurs souvenirs,
La solitude les reprend, aussitôt fait silence.
L´herbe qui les frôle éclôt de leur fidélité.

Que disais-tu? Tu me parlais d’un amour si lointain
Qu’il rejoignait ton enfance.
Tant de stratagèmes s’emploient dans la mémoire!

René Char

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5 comentários a “A ordem legítima é por vezes desumana

  1. Lembro-me bem de termos andado a falar deste Char…o título é só por si espantoso, gosto… (loyaux adversaires)

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  2. grata pelas vossas traduções, que vou acompanhando e me permitem conhcer mais poemas e poetas 🙂

    deixo-vos um abraço com votos de boas festas e um Ano Novo com muitas horas felizes!

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  3. Deliciosas, estas traduções. Parece-me estar convosco, em conversas que fluem, vão e voltam, no calor de uma intimidade não invasiva,olhando pela janela a verdade da natureza, por vezes, também, enganadora… Ora bem, era só para dizer que gosto.

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