Ao Fracasso

Não vens de forma dramática, com dragões
Que se empinam e erguem a minha vida entre as garras
E me atiram esquartejado para junto das carroças,
Os cavalos em pânico; nem como uma cláusula
visivelmente preparada para lembrar o que pode ser perdido,
Que despesas de bolso devem ser suportadas
Em gastos extraordinários; nem como um fantasma gélido
Que é visto, certas manhãs, a correr por um relvado.

É nestas tardes sem sol que descubro
Teres-te instalado no meu espaço como um aborrecimento.
Os castanheiros endureceram de silêncio. Estou
Ciente de que os dias passam mais rápido que antes,
O cheiro a bolor também. E quando ficam para trás
Parecem ruínas. Estiveste aqui algum tempo.

Philip Larkin, Inglaterra (1922-85), tradução de Nuno Dempster

Traduzido para aqui.

TO FAILURE

You do not come dramatically, with dragons
That rear up with my life between their paws
And dash me butchered down beside the wagons,
The horses panicking; nor as a clause
Clearly set out to warn what can be lost,
What out-of-pocket charges must be borne
Expenses met; nor as a draughty ghost
That’s seen, some mornings, running down a lawn.

It is these sunless afternoons, I find
Install you at my elbow like a bore.
The chestnut trees are caked with silence. I’m
Aware the days pass quicker than before,
Smell staler too. And once they fall behind
They look like ruin. You have been here some time.

Philip Larkin

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