Para Falar da Desgraça Que Há no Casamento

É a geração futura que pressiona o ser através
destes sentimentos exuberantes
e das super-sensíveis bolas de sabão que temos.
Schopenhauer

“A noite quente faz-nos manter abertas as janelas do quarto.
A magnólia floresce. A vida começa a acontecer.
O meu marido, estimulado, larga as discussões de casa,
e vai para as ruas vaguear em busca de prostitutas,
descomprometido, lá fora, ao longo do fio da navalha.
Este excêntrico era capaz de matar a esposa e ficar com o seguro.
Oh a sovinice monótona da sua luxúria…
É a injustiça… ele é tão injusto ―
cego de whisky, chega a casa às cinco, gabando-se.
O meu único pensamento é como manter-me viva.
Que o faz deter-se? Todas as noites agora ato
dez dólares e a chave do carro dele à minha coxa…
Aguilhoado com problemas de erecção,
demora-se em cima de mim como um elefante.”

Robert Lowell, EUA (1917-1977), traduzido por Nuno Dempster para aqui.

To Speak of Woe that Is in Marriage

It is the future generation that presses into being
by means of these exuberant feelings
and supersensible soap bubbles of ours.

Schopenhauer

“The hot night makes us keep our bedroom windows open.
Our magnolia blossoms. Life begins to happen.
My hopped up husband drops his home disputes,
and hits the streets to cruise for prostitutes,
free-lancing out along the razor’s edge.
This screwball might kill his wife, then take the pledge.
Oh the monotonous meanness of his lust…
It’s the injustice… he is so unjust ―
whiskey-blind, swaggering home at five.
My only thought is how to keep alive.
What makes him tick? Each night now I tie
ten dollars and his car key to my thigh…
Gored by the climacteric of his want,
he stalls above me like an elephant.”

Robert Lowell

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1 comentário a “Para Falar da Desgraça Que Há no Casamento

  1. Para quando a tradução de Robert Frost (2 ou 3 poemas) para português? Era bom que assim fosse.
    Abraço.

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