Sobre a Glória

Tinham de lutar até à morte
e muitos a queriam. Incendiaram
templos e bibliotecas e encheram
vales, monturos, praças, de cadáveres.
Buscavam prestígio e obtiveram,
só alguns, honras anónimas
espalhadas aos bocados por museus.

Poeta que persegues recompensas,
desmente se podes que neste lugar,
longe de tertúlias e congressos,
onde vêm os rapazes fumar
e mijar em capitéis e garrafas,
jazem, ignorados, cinco impérios.

Jordi Virallonga, Espanha, 1955, traduzido por Nuno Dempster.

Nota: este poema está igualmente mudado para português na colectânea Quanto Sei de Mim, editada pela Teorema em 2001. Essa versão pode ser lida (e escutada) aqui. A presente tradução foi integralmente feita sem consulta prévia da já existente, sobre o poema original, retirado desta página.

Sobre la Gloria

Habían de luchar hasta la muerte
y muchos la querían. Incendiaron
templos y bibliotecas y llenaron
valles, sentinas, plazas, de cadáveres.
Buscaban el prestigio y obtuvieron,
sólo algunos, anónimos honores
esparcidos a trozos en museos.

Poeta que persigues recompensas,
niega si puedes que en este lugar,
lejano de tertulias y congresos,
donde vienen los niños a fumar
y a mearse en capiteles y botellas,
se entierran, ignorados, cinco imperios.

Jordi Virallonga

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