Vozes

Vozes ideais e queridas
daqueles que morreram ou dos
que se perderam para nós como os mortos.

Às vezes falam-nos em nossos sonhos;
às vezes ouvimo-los no pensamento.

E, com o seu eco, retornam por um instante
ecos da primeira poesia da nossa vida ―
como música que se extingue na noite longínqua.

Konstandinos Kavafis, Alexandria (1863-1933), tradução de Nuno Dempster.

Mudança feita sobre as versões inglesas abaixo, de tradutores desconhecidos, e depois apenas cotejada com o mesmo poema em castelhano, de que não me servi nem de aspectos formais, nem do léxico, nem de qualquer correcção (1).

VOICES

Ideal and dearly beloved voices
of those who are dead
or of those who are lost to us like the dead.

Sometimes they speak to us in our dreams;
sometimes in thought the mind hears them.

And for a moment with their echo
other echos return from the first poetry of our lives ―
like music that extinguishes the far off night.

**

Loved, idealized voices
of those who have died, or of those
lost for us like the dead.

Sometimes they speak to us in dreams;
sometimes deep in thought the mind hears them.

And, with their sound, for a moment return
sounds from our life’s first poetry ―
like distant music fading away at night.

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(1) Poesías Completas, Konstantino Kavafis, traducción y notas de José María Álvarez, ed. Hiperión, Madrid, p. 14.

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