A promessa

Ficai, pedi
às flores cortadas.
Elas curvaram
ainda mais as cabeças.

Fica, disse à aranha,
que fugiu.

Fica, folha.
Ela enrubesceu
de vergonha por mim e por si.

Fica, disse ao meu corpo.
Ele sentou-se como se fosse um cão,
obediente por instantes,
depois começou a tremer.

Fica, disse à terra de vales e prados ribeirinhos,
de escarpas fossilizadas,
de calcário e arenito.
Ela olhou para trás,
a expressão insegura, em silêncio.

Ficai, disse aos meus amores.
Cada um deles respondeu:
Sempre.

Jane Hirshfield, EUA (n. 1953), tradução de Soledade Santos

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The Promise

Stay, I said
to the cut flowers.
They bowed
their heads lower.

Stay, I said to the spider,
who fled.

Stay, leaf.
It reddened,
embarrassed for me and itself.

Stay, I said to my body.
It sat as a dog does,
obedient for a moment,
soon starting to tremble.

Stay, to the earth
of riverine valley meadows,
of fossiled escarpments,
of limestone and sandstone.
It looked back
with a changing expression, in silence.

Stay, I said to my loves.
Each answered,
Always.

Jane Hirshfield

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