No Planetário

Li a palma da mão dos outros
miúdos durante a visita de estudo,
para saber quantos se tornariam

astronautas. A linha da vida
na bonita mão da Betty Lou
interrompia-se dois dias depois,

então disse-lhe como o resto
das nossas vidas é muito sobrevalorizado,
mesmo nas galáxias vizinhas.

Quando me perguntou como é que eu
sabia tanto, respondi-lhe que tinha visto
A Guerra dos Mundos seis vezes

e que ela se fosse comigo ao cinema,
à sessão dupla no dia seguinte,
acabaria de lhe explicar o universo.

Sorri, insinuante. A lição do professor
sobre o cometa Haley entrou-me
por um ouvido e saiu-me pelo outro.

James Doyle (n. 1956), EUA, tradução de Soledade Santos

In the Planetarium

I read the palms of the other
kids on the field trip to see
which ones would grow up

to be astronauts. The lifeline
on Betty Lou’s beautiful hand
ended the day after tomorrow,

so I told her how the rest
of our lives is vastly over-rated,
even in neighboring galaxies.

When she asked me how I knew
so much, I said I watched
War of the Worlds six times

and, if she went with me to
the double-feature tomorrow,
I’d finish explaining the universe.

I smiled winningly. The Haley’s Comet
lecture by our teacher whooshed in
my one ear and out the other.

James Doyle

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