Manhã

Abriu as venezianas. Pendurou os lençóis no peitoril.
                              Mirou o dia.
Um pássaro fixou-a nos olhos. “Estou só”, murmurou.
“Estou viva.”Entrou no quarto. O espelho é também uma janela.
Se saltar dele, cairei nos meus próprios braços.

Yannis Ritsos, Grécia (1909-1990), tradução de Nuno Dempster.

Morning

She opened the shutters. She hung the sheets over the sill.
                              She saw the day.
A bird looked at her straight in the eyes. “I am alone,” she whispered.
“I am alive.” She entered the room. The mirror too is a window.
If I jump from it I will fall in my own arms.

Yannis Ritsos, tradução para o inglês de Nikos Stangos.

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