Estudo de Solidão

Um guardião das condutas de longa distância no deserto?
A equipa de um só homem na fortaleza das areias?
Quem quer que fosse. Ao amanhecer viu  as montanhas rugosas,
Os tons de cinza subindo da escuridão que se dissolvia,
Saturada de violeta, irrompendo em vermelhos fluidos
Que persistiam, imensos, na luz cor de laranja.
Dia após dia. E, sem se dar conta, ano após ano.
Para quem, pensou, este esplendor? Para mim só?
E permanecerá muito além da minha morte.
Que impressão deixará nos olhos de um lagarto? Ou de uma ave migratória?
E se eu sou todos os homens, poderá a humanidade existir sem mim?
Mas ele sabia que não adiantava clamar, ninguém iria salvá-lo.

Czeslaw Milosz (1911-2004), tradução de Soledade Santos

Study Of Loneliness

A guardian of long-distance conduits in the desert?
A one-man crew of a fortress in the sand?
Whoever he was. At dawn he saw furrowed mountains
The color of ashes, above the melting darkness,
Saturated with violet, breaking into fluid rouge,
Till they stood, immense, in the orange light.
Day after day. And, before he noticed, year after year.
For whom, he thought, that splendor? For me alone?
Yet it will be here long after I perish.
What is it in the eye of a lizard? Or when seen by a migrant bird?
If I am all mankind, are they themselves without me?
And he knew there was no use crying out, for none of them would save him.

Czeslaw Milosz

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