Poema dito no final do filme Pasolini – Um Delito Italiano

Aqui o filme, integral e legendado.

A inteligência nunca terá importância, nunca
na consciência desta opinião pública. Nem mesmo
sobre sangue dos campos de concentração, obterás

de um dos milhões de almas do nosso país
um juízo limpo, totalmente indignado:
toda a ideia é irreal, irreal toda a paixão,

deste povo já dissociado
dos séculos, cuja suave sageza
lhe serve para viver e nunca o libertou.

Mostrar o meu rosto, a minha magreza,
levantar a minha voz sozinha e pueril
não tem mais sentido: a cobardia habitua-se

a ver morrer os outros do modo mais atroz,
com a mais estranha indiferença.
Eu morro, e também isso me ofende.

Pier Paolo Pasolini, Itália (1922-1975), tradução de Nuno Dempster.

L’intelligenza non avrà mai peso, mai
nel giudizio di questa pubblica opinione.
Neppure sul sangue dei lager, tu otterrai

da uno dei milioni d’anime della nostra nazione,
un giudizio netto, interamente indignato:
irreale è ogni idea, irreale ogni passione,

di questo popolo ormai dissociato
da secoli, la cui soave saggezza
gli serve a vivere, non l’ha mai liberato.

Mostrare la mia faccia, la mia magrezza –
alzare la mia sola puerile voce –
non ha più senso: la viltà avvezza

a vedere morire nel modo più atroce
gli altri, nella più strana indifferenza.
Io muoio, ed anche questo mi nuoce.

Pier Paolo Pasolini

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3 comentários a “Poema dito no final do filme Pasolini – Um Delito Italiano

  1. Pingback: Cuja suave sageza lhe serve para viver e nunca o libertou | No Vazio da Onda

  2. Acostumbrarse a ver morir a los otros… de manera atroz o no… acostumbrarse a vernos morir a nosotros mismos… con eso juegan y nosotros entramos en el juego y vamos muriendo poco a poco. Aunque a veces, no, a veces, aún nos salvamos y salvamos.

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    • Nos están acostumbrando,es cierto, pero a veces salvamos y nos salvamos. Essa esperanza es lo que buscamos. Gracias, Indigo. Bienvenido.
      Soledade

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