Que dirá o primeiro poema que escrever

I
Que dirá o primeiro poema que escrever
Agora que a mãe morreu.

Este livro envelheceu num instante,
um telefonema da minha irmã.

II
Antes o passado não estava tão distante.
Como o vidro
feito em mil pedaços
a minha biografia
estilhaça-se
a cabeça entende num ápice
a resposta da minha irmã,
saíam depois
palavras da minha boca
eu não as controlavaaideusaideusaideusaideusaideusaideusaideusaideusaideusaideusaideusaideus aideusaideusaideusaideusai

III
Dizer como observo agora a varanda, a planta, o céu

as coisas sem o teu olhar.

IV
Quanto às plantas
sinto algo diferente nas flores.

V
Vem rasgada agora
a felicidade

resiste.

Em sonhos posso abraçar-te.

Florencia Abadi, (n.1979) Argentina, tradução de Soledade Santos

I
Qué dirá el primer poema que escriba
ahora que murió mamá.

Ese libro envejeció en un instante,
una llamada de mi hermana en el teléfono.

Antes no estaba tan lejos el pasado.

II
Igual que el vidrio
en miles de pedazos
mi biografía
astillándose
la cabeza entiende veloz
la respuesta de mi hermana,
salían después palabras
de mi boca
yo no las controlabaaydiosaydiosaydiosaydiosaydiosaydiosaydiosaydiosay

III
Decir cómo miro ahora el balcón y la planta y el cielo
las cosas sin tu mirada.

IV
Respecto de las plantas
siento algo distinto en las flores.

V
Viene rasgada ahora
la felicidad

resiste.

Puedo abrazarte en sueños.

Florencia Abadi

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