O nosso vizinho:

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Todas as famílias que viviam no nosso pátio
tinham um camião americano
com um autocolante do sindicato na traseira.

Em criança admirava-os
como, pensava eu, os nossos soldados
tinham admirado os tanques
de Patton e Sherman.

Disseste-me uma vez
que os russos não poderiam tomar-nos,
era impossível com cidades como a nossa,
cheias de ferro, cheias de trabalhadores temperados
pelos fogos de fundições e fábricas.

Não foram os russos que vieram;
foi o contrato, a greve,
as rodadas de despedimentos que se avolumaram
até que o teu número foi chamado.

Ainda me lembro de ti a arrumar a carga
para a última viagem,
o autocolante do sindicato raspado
com uma espátula,

a extremidade do encerado branco
que cobria a caixa do camião
a bater ao vento
enquanto, conduzindo, te afastavas.

Ivan Hobson, EUA, tradução de Soledade Santos

Our Neighbor:

Every family that lived in our court
had an American truck
with a union sticker on the back

and as a kid I admired them
the way I thought our soldiers
must have admired Patton
and Sherman tanks.

You once told me
that the Russians couldn’t take us,
not with towns like ours
full of iron, full of workers tempered
by the fires of foundries and mills.

It wasn’t the Russians that came;
it was the contract, the strike,
the rounds of layoffs that blistered
until your number was called.

I still remember you loading up
to leave for the last time,
the union sticker scraped off
with a putty knife,

the end of the white tarp draped
over your truck bed
flapping as you drove away.

Ivan Hobson, poema divulgado por http://www.poetryfoundation.org

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