À sombra das muralhas fendidas
as estátuas lapidadas pela poeira
erguem-se no oblívio

Por entre os rasgões do céu
brilha o labirinto dos ventos
Os caminhos da ausência somem-se pelas arcadas do tempo
e reaparecem à superfície nas vinhas

Alheias à desordem do mundo
vindas de um passado sem idade
reinam as colunas deslumbradas

Albert Ayguesparse (1900-1996), Bélgica, tradução de Soledade Santos


À l’ombre des murs crêtés
Les statues lapidées de poussière
sont debout dans l’oubli

Entre les déchirures du ciel
brille le labyrinthe des vents
Les chemins de l’absence faufilent les arcades du temps
refont surface dans les vignes

Hors du désordre du monde
depuis un passé sans âge
règnent les colonnes éblouies.

Albert Ayguesparse, Les Déchirures de la Mémoire

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2 comentários a “

  1. Viva,Sol. Obrigada pela descoberta do poeta belga, pelo oblívio. Nem eu nem o meu dicionário velhote conhecíamos a palavra. Apostei em si, claro!!! Uma música clássica… Gostei. Beijo

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    • Ainda bem que gostou, Ana 🙂 É um poeta desta geração caldeada pelas duas grandes guerras. Temos a apreender com eles, creio eu. Beijo

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