A si dou uma flor

A si dou uma flor,
se me permite,
um gato e um microfone,
uma chave de fendas totalmente sem uso,
uma janela alegre.
Agite tudo.
Faça um poema
ou qualquer outra coisa.
Leia-a ao vizinho.
Deite-a feliz para a sargeta.
E bom-dia,
não volte nunca mais, saúde
quantos ainda recordem
que vamos apodrecendo de impotência.

José Ángel Valente, Espanha (n. 1929), Tradução de Nuno Dempster

A usted le doy una flor

A usted le doy una flor,
si me permite,
un gato y un micrófono,
un destornillador totalmente en desuso,
una ventana alegre.
Agítelos.
Haga un poema
o cualquier otra cosa.
Léasela al vecino.
Arrójela feliz al sumidero.
Y buenos días,
no vuelva nunca más, salude
a cuantos aún recuerden
que nos vamos pudriendo de impotencia.

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