Ikey sobre o povo de Helya

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George Mackay Brown, por Ian MacInnes

Ao Rognvald, que ronda o castelo com o seu cajado,
não lhe quero bem.
Tem um cão de boca troante e afiada,
e uma porta de madeira muito rija.
Uma vez fiquei preso no arame farpado
(estava a homenagear as galinhas dele, acariciando uma asa)
e ele descarregou o cajado em mim.
Também deve ter saído de uma floresta bem rija.

Mansie de Quay é um homem obsequioso.
Peçam-lhe água que ele dá-vos rum.
Dispo-lhe o espantalho todos os anos em Abril.
Pedimos-lhe uma pouca de palha para nos deitarmos no estábulo
e ele dá-nos dormida debaixo de um edredão branco e leve como o céu.
Nessa altura, só a irascível da mulher dele nos destrói a paz.

Gray, o pescador, já não é problema,
relatou-me as leis da vagabundagem
numa voz escorregadia como as algas debaixo do cemitério.
Eu equipei-lhe o barco com sete maldições.
Ocasionalmente, para dar ânimo,
ainda ponho a faca nas redes dele.

Embora tenha campos de turfa negra e uma colina amarela
e cinquenta cabeças de gado mimoso,
não me aproximo da Merran nem dos seus gatos,
prefiro partir uma côdea de pão em cima de uma lápide.
A tataravó dela foi queimada como bruxa em Gallowsha.

Os mil coelhos de Hollandshay
não deixam crescer o trigo de Simpson,
o que motiva muita crueldade, fumo e disparos.
Esta noite acendi um pequeno lume.
Manchei a minha faca de vermelho.
Descasquei um nabo redondo
e rezei ao Senhor
para que conserve os outros novecentos e noventa e nove inocentes.

Finalmente em Folsfcroft vive Jeems,
alfaiate e cangalheiro, viajante de limites,
uma mesma faixa para os vivos e os mortos.
No Inverno aplica uma agulha aos meus andrajos
e, durante os meus torpores, guarda
as sete tábuas brancas
que recuperei de um naufrágio dinamarquês, certo inverno.

George Mackay Brown (1921 –1996) Escócia, tradução de Soledade Santos

Ikey on the People of Helya

Rognvald who stalks round Corse with his stick
I do not love.
His dog has a loud sharp mouth.
The wood of his door is very hard.
Once, tangled in his barbed wire
(I was paying respects to his hens, stroking a wing)
He laid his stick on me.
That was out of a hard forest also.

Mansie at Quoy is a biddable man.
Ask for water, he gives you rum.
I strip his scarecrow April by April.
Ask for a scattering of straw in his byre
He lays you down
Under a quilt as long and light as heaven.
Then only his raging woman spoils our peace

Gray the fisherman is no trouble now
Who quoted me the vagrancy laws
In a voice slippery as seaweed under the kirkyard.
I rigged his boat with seven curses.
Occasionally still, for encouragement,
I put the knife in his net.

Though she has black peats and yellow hill
And fifty silken cattle
I do not go near Merran and her cats.
Rather break a crust on a tombstone.
Her great-great-grandmother
Wore the red coat at Gallowsha.

The thousand rabbits of Hollandshay
Keep Simpson’s corn short,
Whereby comes much cruelty, gas and gunshot
Tonight I have lit a small fire.
I have stained my knife red.
I have peeled a round turnip
And I pray the Lord
To preserve those nine hundred and ninety-nine innocents.

Finally in Folscroft lives Jeems,
Tailor and undertaker, a crosser of limbs,
One tape for the living and the dead.
He brings a needle to my rags in winter,
And he guards, against my stillness,
The seven white boards
I got from the Danish wreck one winter.

George Mackay Brown</

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