Férias em família

Quatro semanas de brigas, longe
de casa, chegámos ao mais solitário dos lugares.
Uma cidade ferroviária no oeste. Lembras-te?
Deixei-te no parque de campismo, com as panelas engorduradas,
e disse aos nossos filhos que não me seguissem.
A luz moribunda deixava-me desesperada.
Lancei-me numa corrida trôpega ao longo dos carris,
passando por armazéns com o sol apagado nas janelas,
até chegar ao parque infantil, que cintilava numa clareira.
E aí pus-me a balouçar, elevando-me acima da copa das árvores.
E vi-me a nunca mais regressar, embora
o alento que respirava no bosque silencioso
não fosse outra vida. O sol afundou-se.
Deixei o baloiço imobilizar-se, os meus pés rasparam a terra.
E eu fui sacudida pela lembrança
da menina que sonhara a vida que eu tinha.
Através da raiz escura da noite, voltei a ela.

Judith Slater, USA (n. 1938), tradução de Soledade Santos

Family Vacation

Four weeks in, quarreling and far
from home, we came to the loneliest place.
A western railroad town. Remember?
I left you at the campsite with greasy pans
and told our children not to follow me.
The dying light had made me desperate.
I broke into a hobbled run, across tracks,
past warehouses with sun-blanked windows
to where a playground shone in a wooded clearing.
Then I was swinging, out over treetops.
I saw myself never going back, yet
whatever breathed in the mute woods
was not another life. The sun sank.
I let the swing die, my toes scuffed earth,
and I was rocked into remembrance
of the girl who had dreamed the life I had.
Through night, dark at the root, I returned to it.

Judith Slater