SENHOR, AGORA QUE A MINHA PELE

Senhor,
agora que a minha pele e a sua
− depois dos lençóis −
formaram uma nova colagem na água,
decerto
não é o melhor momento para lhe falar,
mas aproveitando que estou por cima
e o senhor debaixo,
queria dizer-lhe
− quase não me atrevo com esses seus olhos −,
que não posso mais,
que vou parar.

− Era o prazer como uma daquelas bonecas russas que se abrem,
e aparece outra,
e outra… −

Almudena Guzmán, Espanha (n.1964), tradução de Nuno Dempster.

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SENHOR, NÃO O SABE

 

Senhor,
não o sabe
e apesar disso as suas rugas,
alisando-me a manhã,
obrigaram-me a iniciar uma greve de namorados
desde que o conheço.

E hoje
– enquanto nos olhávamos de viés, cada um
no seu extremo do balcão –
a minha cabeleira mais anarquista
optou em definitivo por filiar-se nos seus olhos.

Almudena Guzmán
, Espanha (n.1964), tradução de Nuno Dempster.

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