Styx

Longo, o que se diz profundo,
é o curso dos rios que não chegam ao mar
e levam nas suas águas todos os nossos mortos.
Profundo, o que se diz longo,
é o rio que não deixa a sua bacia.

Longo e fundo, o que se diz largo,
é o rio que leva a amargura,
invisível sob as ruas,
na dor da mãe que perdeu o filho,
na dor do filho que não conhecerá a mãe.

Longo, fundo, o que se diz invisível,
percorrendo o tempo da vida quotidiana,
à luz dos semáforos,
nos pneus gastos da ira,
rio, invisível rio
que de tão fundo, que de tão longo
parece não chegar e chega.

Longo, o que se diz fundo,
fundo, o que se diz turvo,
amargo é o rio que teremos de atravessar quando anoitecer.

Álvaro Solís, México (n. 1974), tradução de Soledade Santos

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