Vida de Filósofos Ilustres

Aprende que emanam eflúvios de todas as coisas nascidas.
Que tudo dá luz. Que cada coisa se inflama ao ar de presença.
A árvore esplende, o mar irisa-se, os eflúvios cruzam-se.
Um corpo deita chamas, se em realidade nua se transforma
sobre a areia tépida. O rio incita à água. Ao júbilo.
Todas as coisas lançam ao ar a sua rede de desejos.
E o homem deve enredar-se neles. Arder. Ser fumo
e combustão e brasa e tempestade nos seus dias breves.
Unir-se a todos os corpos. Transmudar-se em amor. Não deixar
fugir nenhum desejo. Árvore ou menina, jovem ou tigresa.
Arder em cada amor. E amar só desejo. E ser,
enfim, como Empédocles, fogo, fogo apenas, fogo
no alto cume sagrado e estéril do Etna…

Luis Antonio de Villena, Espanha (n. 1951), traduzido por Nuno Dempster.

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