Mistérios, sim

Na verdade, vivemos com mistérios demasiado maravilhosos
para serem entendidos.
Como pode a erva ser nutritiva
na boca dos cordeiros.
Como podem os rios e as pedras estar em permanente
aliança com a gravidade
enquanto nós ansiamos elevar-nos.
Como podem duas mãos ao tocar-se firmar laços
que nunca mais se quebram.
Como é que as pessoas, vindas do prazer ou
das cicatrizes dos golpes,
chegam ao conforto de um poema.

Deixem-me manter sempre a distância
dos que pensam ter todas as respostas.

Deixem-me ficar na companhia dos que dizem
“Olhem!” e riem de assombro
e inclinam reverentes a cabeça.

Mary Oliver (n. 1935), EUA, tradução de Soledade Santos

Continuar a ler