Encontrando o Cachecol

As florestas são o livro
que lemos vezes sem conta como crianças.
Agora as árvores inclinam-se, derrubadas
por um raio, rasgadas por ciclones,
troncos prateados que se voltam

para terra. A luz tardia de Novembro
obliqua entre os carvalhos
como o nosso curto passeio, pai, mãe, filho,
emudece adiante, o vento buscando nas copas
a última folha. A infância jaz

no chão da floresta, não de folha perene
mas de carvalhos, a ramaria fechada
para um céu cinzento. Aqui está o cachecol
que deixámos há anos como um sinal,

significando que tornaríamos no dia seguinte,
tendo voltado as nossas cabeças
para um ruído nos arbustos,
para o toque de jantar ao longe,

para o que sabíamos e não sabíamos
que sabíamos, no declive do crepúsculo
que mudado regressa a um lugar que mudou.

Wyatt Townley, EUA (nascida em 1954), tradução de Nuno Dempster.

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