When you are old…

Quando fores velha, cheia brancas e de sono,
E, cabeceando à lareira, pegares neste livro,
Lê-o devagar, e sonha com o olhar doce
Que os teus olhos tinham e suas fundas sombras.

Muitos te amaram os momentos de suave graça,
Amando em verdade ou com falso amor a tua beleza,
Mas um só amou em ti a alma peregrina,
Amando as mágoas do teu mutável rosto;

E, pendendo a cabeça para as brasas vivas,
Murmura, um pouco triste, que o Amor se foi
E caminhou pelas montanhas acima
E a face escondeu num mar de estrelas.

William B utler Yeats, Irlanda, 1865-1939, Traduzido por Nuno Dempster.

Continuar a ler

Estrelas e jasmim

Cada um deles já foi um deus muitas vezes:
gato, ouriço e – a nossa intrusa de verão – tartaruga.
Um triângulo perfeito, não podem nem comer-se
nem casar uns com os outros.
E esta noite são deuses
sob o jasmim sob as estrelas.

Já o ouriço desdenhara da ceia do gato
e caminhava embaraçado a seu lado,
enfiando a cabeça nos arbustos.
Sabiamente agora fica de olho nele
e na tartaruga
que atravessa ruidosamente o cascalho.

Para o gato, o jasmim é branco,
mas as estrelas têm cores.
Para o ouriço não há estrelas,
só um céu de jasmim,
contra o qual fareja algo escuro,
delineado como uma ave de rapina.

Sabiamente, a tartaruga ignora tanto o jasmim como as estrelas.
Já me basta, diz ela, transportar o céu às costas,
um céu que é sólido, matemática e delicadamente colorido –
e em que alguém, além disso, pintou
o endereço dos nossos vizinhos: nº9, estrada do Surrey.
Chegado Setembro, iremos pô-la na caixa do correio deles.

Maurice Riordan (n. 1953), Irlanda, tradução de Soledade Santos

Continuar a ler