Morte de uma rã

Mataram uma rã.
Os meninos, fazendo uma roda, levantaram as mãos.
Todos juntos,
levantaram as mãos pequeninas
e ensanguentadas.
A lua nasceu.
Está alguém no cimo do outeiro.
Vê-se um rosto sob o chapéu.

Sakutaro Haguiwara (1886-1942), Japão, tradução de Soledade Santos

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O mais perigoso de todos os jogos

Heian period (794-1185)  folha de album

Período Heian (794-1185), folha de álbum

A lembrança de longos encontros amorosos é como a neve derretendo,
pungente como os patos mandarins flutuando lado a lado no sono.

Lady Murasaki (Murasaki Shikibu), 974-1031

Os amantes jogam com a vida e a morte
o mais perigoso de todos os jogos.

Ihara Saikaku, 1641-1693

Para punir os homens pelos seus pecados,
Deus fez-me esta pele macia,
deu-me estes longos cabelos negros.

Yosano Akiko, 1878-1942

Tu e eu vivemos no interior de um ovo
e eu, eu sou a clara,
envolvo-te e embalo-te dentro do meu corpo.

Canção de uma gueixa anónima

Os deuses celestes são irracionais:
Eu podia morrer sem haver-te conhecido,
a ti a quem amo tanto.

Kasa no Iratsume, século VIII

Universes in Collision, versões de Soledade Santos

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Poesia Zen de Ryokan

Outro dia que demora a terminar;
o céu envia um frio amargo.
As montanhas cobrem-se de folhas caídas
e não há viajantes que lancem sombras sobre o caminho.
Noite interminável: as folhas secas ardem sem pressa na lareira.
Por momentos o som da chuva gelada.
Abatido, tento evocar o passado…
Mas não há senão sonhos.

 One Robe, One Bowl: The Zen Poetry of Ryokan (1758-1831, Japão), tradução de Soledade Santos a partir da versão em castelhano
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